Verificação de fonte
Aplica o SIFT para decidir se uma fonte sustenta citação, antes de ela entrar na matéria.
- name
- verificacao-de-fonte
- versão
- 1.0.0 · 2026-08-28
- saída
- Ficha da fonte, Recomendação de uso
- fontes
- nenhuma
O que o agente lê para ativar
Avalia se uma fonte merece confiança antes de citá-la, usando o método SIFT. Investiga quem publicou, procura cobertura melhor e rastreia a alegação até o contexto original. Use antes de citar site, estudo, relatório ou post desconhecido.
Verificação de fonte
Quando usar
Antes de citar qualquer fonte que você não conhece. Vale para site, estudo, relatório, dado solto, post viral e para o "levantamento" que chega por assessoria.
O método
SIFT, de Mike Caulfield. Quatro movimentos, e o primeiro é o que quase todo mundo pula.
S: Stop (pare)
Antes de ler, pare e responda: eu sei o que é isso? Se não sei, não leio ainda. Ler primeiro e avaliar depois é como a desinformação entra: o texto já construiu o enquadramento antes de você julgar a origem.
Pare de novo se o material provocou reação forte. Material feito para circular é otimizado para indignação, e indignação encurta a checagem.
I: Investigate (investigue a fonte)
Descubra quem publicou, e não o que a página diz sobre si mesma.
- quem mantém, quem financia, desde quando existe
- é veículo, instituto, empresa, ativismo, ou assessoria com nome de instituto?
- o autor tem histórico verificável na área?
- leitura lateral: abra outras abas e procure o que terceiros dizem sobre a fonte, em vez de ler o "Quem somos". Página institucional é peça de comunicação, não evidência
Sinais de alerta que valem mais que a aparência do site:
- sem expediente, sem endereço, sem responsável nomeado
- domínio recente para uma instituição que se diz antiga
- nome que imita veículo conhecido
- "estudo" sem metodologia, sem amostra e sem autor
F: Find (procure cobertura melhor)
A pergunta não é "esta fonte é confiável?", e sim "existe fonte melhor para a mesma coisa?". Quase sempre existe.
Se a alegação é relevante, procure quem mais a reportou. Se ninguém mais reportou algo que seria notícia grande, isso é informação sobre a alegação.
T: Trace (rastreie até a origem)
Siga a alegação até a fonte primária. O caminho típico da distorção:
dado original → release da instituição → agência → portal → post → print
Cada salto perde recorte, data e ressalva. Rastreie até o começo e compare o que a ponta diz com o que a origem diz. É aqui que aparece a maior parte dos "dados falsos" que na verdade são dados verdadeiros fora de contexto.
Casos brasileiros que merecem atenção extra
- "Instituto" e "observatório": no Brasil o nome não é protegido. Confira CNPJ, financiador e quem assina o estudo
- Assessoria com formato de pesquisa: material com aparência acadêmica produzido por empresa interessada no resultado
- Print de rede social: print não é fonte. Encontre o post original, veja se existe, se é da conta que dizem e se não foi editado ou apagado
- Pesquisa eleitoral: só vale a registrada, com número de registro, contratante e margem declarados
Formato de saída
Ficha curta por fonte:
| Campo | |
|---|---|
| Fonte | nome e URL |
| Quem mantém | pessoa jurídica, financiador |
| Tipo | veículo, instituição, empresa, ativismo, anônimo |
| Fonte primária? | sim ou não; se não, qual é |
| Cobertura independente | quem mais reportou |
| Recomendação | citar / citar com ressalva / não citar |
E, se a recomendação for "citar com ressalva", escreva a ressalva já no formato que vai para a matéria. Ressalva que fica na cabeça do repórter não chega ao leitor.
Antes de citar
- Sei quem publicou e quem financia
- Fiz leitura lateral, não só li a página "Quem somos"
- Cheguei à fonte primária, ou declarei que é secundária
- Procurei cobertura independente da mesma alegação
- A ressalva, se houver, está escrita para o leitor

